Petróleo e Ferro (1931-1939)

1931 – Monteiro Lobato regressa ao Brasil. No final do ano, “estão prontos todos os planos para o lançamento da Cia. Petróleo do Brasil, inclusive os prospectos. O programa inicial consiste em levantar pequeno capital, exclusivamente para as experiências com o aparelho Romero, indicador de óleo e gás, e no qual alguns entendidos depositam profundas esperanças.”. Cansado de apelar aos poderes oficiais, Monteiro Lobato dirige-se ao público.

Publicação de “Reinações de Narizinho”. Agora seus escritos não são realizados “com a mesma despreocupada pureza. Agora escreve profissionalmente”.

Início da correspondência entre Monteiro Lobato e Getúlio Vargas. Nesta carta, Getúlio, por intermédio de Ronald de Carvalho, oferece a Monteiro Lobato novas oportunidades a serviço do governo. Lobato recusa o convite.

1932 – Monteiro Lobato tem com Getúlio Vargas o que julga a última conferência duma série objetivada para a solução do problema siderúrgico. “Lembro-me, diz Lobato, que lhe resumi o caso brasileiro nestes termos culinariamente prosaicos: A República Velha mexia o angu do caldeirão da esquerda para a direita; a República Nova está a mexê-lo da direita para a esquerda; a República Novíssima talvez o mexerá de cima para baixo ou vice-versa. Nada disso aumenta o angu do caldeirão – e o verdadeiro mal reside na escassez do angu. Há muita pobreza, muita miséria no Brasil. O que existe de riqueza criada é pouco demais para famintos (…) Criar oportunidades para todos, eis o programa. Mas só há de conseguir isso pelo desenvolvimento da indústria do combustível e do ferro, que são básicas. Do ferro sai a máquina que multiplica a eficiência do homem; do combustível sai a energia mecânica que faz mover a máquina. Máquina e energia: eis a grande revolução que temos de operar neste imenso gigante entrevado e faminto que se chama Brasil.”

Escreve “Viagem ao Céu”, publica “América”, e traduz “Os Contos” de Andersen.

1933 – Edita “Na Antevéspera” e as “Novas Reinações de Narizinho”. Redige a “História do Mundo para as Crianças” e “As Caçadas de Pedrinho”. Traduz “Mowgli, o Menino Lobo”, de Kipling.

O livro “História do Mundo para as Crianças” teve reações contrárias da chefia do “Serviço das Instituições Auxiliares da Escola”, do Departamento de Educação da Secretaria dos Negócios da Educação e Saúde Pública, do Estado de São Paulo. Apresentam inconveniências, como as ironias em torno da queima de café do Governo, as discussões sobre Santos Dumont, e, principalmente, contestam o tom polêmico do autor na defesa da “formação cristã” da família brasileira. As reações também surgiram do exterior. Portugal proibiu a obra no país e em suas colônias.

1934 – Releitura do livro de Godofredo Rangel, “Vida Ociosa”.

Getúlio Vargas, novamente por intermédio de Ronald de Carvalho, convida Lobato a estudar a hipótese de dirigir os serviços de um “Ministério” ou de um “Departamento de Propaganda”, a ser criado no seu Governo.

1935 – Publicação do livro “Geografia de Dona Benta”. Foi denunciado como “obra deletéria, separatista,” com trechos insultantes para o Brasil. Lobato defende-se dizendo que “Dona Benta disse aos seus netos a verdade pura, e uma verdade de conhecimento do mundo inteiro. Não há nenhum insulto ao Brasil no fato de uma avó contar aos netos o que é verdade e todos os adultos sabem”.

Em junho, a Companhia Editora Nacional publica o livro A luta pelo petróleo, de Essad Bey, em tradução de Charlie W. Frankie revista e prefaciada por Monteiro Lobato.

1936 – Lançamento de Dom Quixote das crianças e Memórias da Emília. Tradução de: A ceia dos acusados.

Em fevereiro, por unanimidade de votos, Lobato é eleito para a cadeira 39 da Academia Paulista de Letras.

Em agosto, chega às livrarias O escândalo do petróleo, com duas edições esgotadas nesse mesmo mês, seguidas de mais três até o final do ano, totalizando 20 mil exemplares vendidos.

No final de agosto, ainda, o Diretório Estadual da ANL de São Paulo envia carta a Lobato aplaudindo entusiasticamente O escândalo do petróleo.

1937 – Lançamento de: O poço do Visconde, Serões de Dona Benta e Histórias de Tia Nastácia e da adaptação das Viagens de Gulliver.

A publicação sofreu críticas, visto que o livro afirma que havia petróleo no Brasil, enquanto que os técnicos do governo diziam que o Brasil não tinha nem poderia ter petróleo. “As afirmativas de Visconde não passavam de heresia. Ao fogo, portanto, com o herege. Mas doze anos depois, em Lobato, no Estado da Bahia, justamente no local indicado pelo Visconde, o petróleo brotou da terra.”.

Em agosto, Lobato compra a União Jornalística Brasileira, criada três anos antes por Menotti del Picchia.

1938 – Lobato escreve a peça O museu da Emília, para ser encenada na Biblioteca Infantil Municipal de São Paulo. Lançado em Buenos Aires pelo Editorial Claridad Don Quijote de los niños, em tradução de Benjamin de Garay. Travesuras de Naricita Respingada, Tremendas cacerias de Pedrito, Los contos de la negra Nastacia e mais oito títulos já haviam sido publicados pela mesma editora na Argentina.

Em janeiro, morre, em São Paulo, seu filho Guilherme.

Em março, em carta a Getúlio Vargas, Lobato conclama o presidente à defesa da soberania brasileira na questão do petróleo e faz graves denúncias contra o Departamento Nacional de Produção Mineral.

Em abril, é criado o Conselho Nacional do Petróleo (CNP).

Em julho, realiza-se a assembleia de constituição da Companhia Matogrossense de Petróleo, incorporada por Monteiro Lobato, Vítor do Amaral Freire e Octalles Marcondes Ferreira, entre outros. Fará prospecções em Porto Esperança, região do município de Corumbá, no coração do Pantanal, em área vizinha aos ricos territórios petrolíferos do Chaco.

1939 – Lançamento de O Picapau Amarelo e O Minotauro. Traduções: Rumo às estrelas, Evolução da física e Os grandes pensadores.

Em janeiro, no poço de Lobato [localizado num subúrbio de Salvador, Bahia, em terras que no século XVI pertenceram ao fazendeiro Vasco Rodrigues Lobato, de onde se originou sua denominação], é descoberto, oficialmente, o petróleo no Brasil.

Inicia a colaboração para o jornal argentino “La Prensa”. O primeiro trabalho é uma síntese do progresso e da cultura brasileira, texto pedido por Ezequiel Paz. Começa a fazer artigos semanalmente para o jornal. Escreve, entre 1939 e 1940, os artigos: “La primeira novela americana”, “Heredero de si mismo”, “Je prends le soleil”, “Un recuerdo sobre Rui Barbosa”, “La remolacha de Maricota”, “Sueño de una mañana tropical”, “Machado de Assis”, “El Nandú e las Saúvas”, “El Brasil visto verticalmente”, e muitos outros.

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abr. 18 2013 Staff Categoria: Efemérides

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Museu Monteiro Lobato