No Rio de Janeiro (1925-1927)

1925 – Neste ano, a Empresa Editora de Monteiro Lobato abre falência. “A verdade é que Lobato saíra pobre da falência. Tão pobre que para transferir-se para o Rio de Janeiro, precisou pôr em leilão seus bens.”.

Segundo Edgar Cavalheiro Lobato, “não se deixou abater. Pelo contrário. Além dos negócios editoriais, possuía uma sociedade com Otales Marcondes Ferreira pequena casa de loteria, à Rua Direita. Da venda desse negócio apuraram 100 contos de réis. Com tal importância habilitaram-se ao espólio da massa falida. A proposta que fazem é a melhor: o estoque das edições e direitos autorais são avaliados em dois mil contos. Por 300 e poucos fecham o negócio, entrando ele e Otales, no momento, com os cem contos, que é tudo quanto, espremidos, conseguem dispor. O resto seria pago em prestações mensais com o produto da venda do próprio estoque.

E assim, dos escombros da Gráfica e Editora Monteiro Lobato surge outra pequena empresa – a Cia. Editora Nacional.”

“Apesar da má vontade com a imprensa, é nela que ao chegar ao Rio, encontra consolo para as suas mágoas. Escreve para ‘O Jornal’ os diálogos com Mr. Slang, e para ‘A Manhã’, então em grande fase, além de um punhado de artigos, o romance em folhetins, – ‘O Choque das Raças ou O Presidente Negro”.

No Rio de Janeiro, encontra excelentes amigos frequentando a rodinha da Livraria de Leite Ribeiro. 1, p: 336). Neste período, Lobato “sossega por uns tempos com a mania de ‘grande industrial’. A nova editora firma-se dia a dia, mas a sede está longe, sua contribuição é puramente intelectual. Em lugar de viver às voltas com tiragens em cifras, anda lendo muito, aproveitando até mesmo viagens de bonde para pôr as novidades em dia. E quando se aborrece na cidade foge para Paquetá ou Saco de São Francisco, de vara na mão, ‘em ictiológico desporto’.”.

Os amigos insistem novamente para Lobato inscrever-se na Academia Brasileira de Letras. Perde a eleição por não cumprir “a praxe”. “A verdade é que, tanto antes como depois de se tornar candidato, acadêmicos e academia mereciam-lhe pouquíssimo apreço.” Em artigos como “A Feminina” e em sua editora, Lobato deixa clara a sua posição em relação à Academia.

Elegem-no para a Academia Paulista de Letras, mas “quase à revelia, pois um “irredutível amor à liberdade” impede-o tomar posse, entrando na “gaiolinha dourada”, como diz em carta a uma amigo”.

Comenta com Godofredo Rangel a possibilidade de entrar na Academia Brasileira de Letras: “Não sei, Rangel. Tenho medo de Academias, coisa algemante, e não possuo o “feitio acadêmico”.

1926 – Confessa ter vontade de entrar definitivamente pelo caminho da literatura infantil: “De escrever para marmanjos já enjoei. Bichos sem graça. Mas, para as crianças, um livro é todo mundo. Ainda acabo fazendo livros onde as nossas crianças possam morar. Não ler e jogar fora; sim morar, como morei no Robinson e nos Filhos do Capitão Grant”. E Lobato completa: “Que é uma criança? Nada mais do que isto: imaginação e fisiologia”. E quando lhe perguntam porque escreve para elas, responde: “Dá-me prazer e traz-me compensações, coisas que jamais senti e tive escrevendo para marmanjos. Prazer … Será que a criança subsiste sempre no adulto? Hum… Vem daí a sabedoria popular dizer que a velhice é um retorno à puerilidade. (…) O gosto que sinto em escrever histórias que irão dar prazer às crianças, prova que estou chegando à idade mental delas. A criança que mais se diverte com as minhas histórias é a que subsiste ou está renascendo dentro de mim. Eis tudo… Velhice.”.

Entre o fim desse ano e começo de 1927, Lobato escreve inúmeros artigos que são reunidos em livro intitulado “Opiniões”. Da mesma época, são alguns dos trabalhos reunidos em “Na Antevéspera”.

abr. 18 2013 Staff Categoria: Efemérides

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Museu Monteiro Lobato