Nastácia

Sinhá me chamou aqui e disse que eu precisava falar um pouco, mas eu não gosto de falar de mim não, gosto sim de falar desse lugar maravilhoso que eu vivo, cercada dessa criançada, dos bichos que falam, e até de umas aparições “crus-credo”, nem sei por que disse isso, mas por aqui tudo acontece. Parece que aqui tudo tem vida, até as minhas histórias, vira e mexe, aparece um para fazer uma visita, as crianças adoram, mas me pega de surpresa e eu não gosto de levar susto. As crianças vivem cercando a minha cozinha, principalmente quando faço meus quitutes, quando faço os bolinhos de polvilho, aí vem aquele molecote de gorro vermelho na cabeça e me prega cada susto, ele não resiste ao cheiro dos meus bolinhos, diz que sente de longe o cheiro. A Narizinho, desde bem nova, foi entregue aos meus cuidados, ela é uma menina meiga e que eu adoro, é uma menina inteligente, muito esforçada, se interessa pelas prendas domésticas e é muito minha amiga. Um dia, decidi coser uma boneca de pano, Emília, para que Narizinho pudesse fazer suas brincadeiras, ficou linda, com olhos de retrós, tomei uns retalhos multicoloridos para fazer o cabelo, e, quando terminei, logo Narizinho se encantou pela boneca. Quando menos esperava, um dia à procura de Narizinho, ela vem correndo e falando com Emília, fiquei pasma, pois Emília estava respondendo, a boneca estava “falando pelos cotovelos”.

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out. 27 2013 Staff Categoria: Turma

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Museu Monteiro Lobato