Escolha pelo literato (1917-1924)

1917 – No meio do ano, consegue vender a Fazenda Buquira.

“Vendida a Fazenda, depois de ligeira permanência em Caçapava, onde com Carlos Freire e Pereira de Matos funda a revista ‘Paraíba’, Monteiro Lobato transfere-se com a família para São Paulo, indo residir à Rua Formosa.”

Lobato era “ferrenho inimigo dos imitadores e, acima de tudo, irritava-o o francesismo então dominante nas rodas elegantes da Paulicéia. Pensava-se em francês, comia-se em francês, escrevia-se em francês. Tudo quanto fosse ‘chic’, requeria o ‘made in France’: livros, pintura, escultura, roupas, artes em geral. ‘De que maravilhosas coisas, escrevia indignado, não seria capaz o brasileiro se não ficasse no terreno do pastiche o inibitório terror à mofa escarninha do francês. Essa obsessão leva uma sociedade que se diz culta a atitudes ridículas, a macaquices inacreditáveis’.

O inquérito sobre o saci, a série de contos e artigos que vinha produzindo, não passavam em suma de reação a tal estado de coisas (…) Em lugar de sermos ‘nós mesmos’, de criarmos uma personalidade própria, que fazemos? Contentamo-nos em sermos ‘cópias’, péssimas cópias por sinal. Esquecido de que tanto maldissera o Jeca Tatu, toma-lhe agora a defesa, chega mesmo a dizer que o pobre Jeca lhe parece ainda a melhor coisa que produzimos. E com aquele exagero do polemista de lança em riste, impõe o dilema: ‘Ser Jeca e levar às últimas consequências a afirmação do indivíduo com o ambiente, ou ser coquetel, puzzle, garni nacionalidade roupa usada de gola sebosa’. Seu espírito nacionalista, nestas alturas, é tão intenso, que o leva a pleitear, para os nossos parque infantis, em lugar daqueles horrorosos anões barbudos, tão em voga, a graciosa figurinha do demônio brejeiro – o Saci Pererê. Leva tal preocupação nacionalista para outros campos das artes, da política, da vida social em toda a amplitude. Muito escreverá sobre temas especificamente brasileiros. Não se deixará tomar de um nacionalismo vesgo, e muito menos não partilhará da corrente ‘ufanística’, apregoando serem belas todas as nossas tristes realidades. Não! O nacionalismo que o anima é diferente, nada tem de ‘pátria amada’, de ‘hino nacional’. Este tipo de patriotismo só consegue irritá-lo. O que prega é a exata compreensão dos nossos problemas, a valorização das coisas brasileiras, sem os olhos deformadores do róseo e falo otimismo (…)

Nas páginas que escreveu antes e depois do inquérito sobre o Saci Pererê, insistiu na tecla de que, embora péssimas, não havia motivo para desprezarmos as nossas coisas. O Jeca era aquela miséria descrita em ‘Urupês’, mas antes ele do que qualquer cópia, por melhor que fosse. “Nós, frisava Lobato, nunca nos vemos a nós, e todos os nossos males embicam nesse erro.”

“… habitando São Paulo, em contato diário com jornais e revistas, homens de letras e jornalistas, toma-se de atividade febril, escreve muito, vive pensando no livro que publicará em breve (…) Colabora na ‘Vida Moderna’, nela publicando inúmeros ‘sueltos’ e alguns capítulos de ‘O Queijo de Minas ou a História de um Nó Cego’; escreve num jornalesco chamado ‘O Queixoso’, n’ ‘A Cigarra’, de Gelásio Pimenta, no ‘Parafuso’, de Benedito de Andrade, n’ ‘O Pirralho, de Oswald de Andrade. Quase sempre, é bom frisar, sob pseudônimos. N’ “O Estado’ e na ‘Revista do Brasil’, usa o próprio nome, e é para essas publicações que reserva quase sempre o melhor, as coisas realmente perduráveis.”

“O Estado de São Paulo” (20/12/1917) publica um novo texto de Lobato, tão polêmico quanto o “Velha Praga”: uma crítica a exposição da pintora Anita Malfatti que, entretanto, havia enormemente agradado Oswald de Andrade – “Ao que parece, esse desencontro de opiniões explica o silêncio e as relações de ignorância mútua que entre si mantiveram, de um lado os líderes do modernismo paulista de 22; de outro Lobato”.

“Além dos artigos e contos, dá início, na edição vespertina do ‘Estado’, de nome ‘Estadinho’, a um inquérito sobre o ‘Saci Pererê’. O momento era de exaltado nacionalismo; as coisas da terra vinham à tona, e ninguém mais indicado do que ele para vesti-las adequadamente.”

Lobato “organiza para ‘O Estado de São Paulo’, uma pesquisa sobre o saci-pererê. Empolga-se com o assunto e transforma o resultado num livro de trezentas páginas, capa vermelha, impresso às suas custas e assinado com o pseudônimo de Demonólogo Amador”, sendo o livro um enorme sucesso.

“O livro que pode marcar o máximo do denominador comum da literatura do gosto desse ano é o Saci Pererê, volume, dizia a Revista do Brasil, em que Monteiro Lobato reuniu os depoimentos que recolhera para a edição noturna do Estado de São Paulo, ‘acolchetando-lhes alguns comentários deliciosos e emparedando-os entre um prólogo e um epílogo refulgentes de graça’.”

1918 – No mês de maio, Monteiro Lobato compra a Revista do Brasil.

Dirigindo a Revista do Brasil, em 1918, Lobato “demonstra o espírito empreendedor que marca seu esforço como empresário da cultura”. Segundo Marisa Lajolo, “comprar a Revista do Brasil, analisado na perspectiva de mais de meio século depois, parece ter sido uma iniciação simbólica: passo audacioso e definitivo para a transformação do escritor Lobato no escritor editor que inaugura a marca Monteiro Lobato com o livro de contos de sua autoria Urupês.”

Em julho, é publicado o livro “Urupês”. Com o lançamento de “Urupês”, “sucedem-se outros lançamentos seus e de seus amigos, sempre com sucesso”, realçando Lajolo a “filosofia editorial” que “aponta os impasses de um escritor travestido de editor e documenta a emersão de um lobato-editor ainda embaraçado pelas roupagens de escritor.” Para Lajolo, “Lobato começa a conceber a literatura também como mercadoria, incluindo e privilegiando no enfoque que dá aos livros a perspectiva editorial”, preocupando-se com a embalagem e o rótulo e com a importância da sugestividade do título. “Já tinha, por exemplo, substituído o planejado título Dez Mortes Trágicas de sua obra de estreia por Urupês; e na substituição (…) não pesou pouco o argumento de que este era o título de um artigo seu de grande repercussão. ‘Urupês’ cai como um bólido na pasmaceira em que vegetava a literatura brasileira, marca um acontecimento sem precedentes nas letras nacionais. Oswald de Andrade concorda ter sido ‘Urupês’ o autêntico ‘marco zero’ do movimento modernista, que quatro anos mais tarde deflagraria tão ruidosamente em São Paulo.”

De acordo com Edgar Cavalheiro, o artigo sobre Jeca Tatu que encerrava as páginas de “Urupês” provocou uma enorme polêmica na imprensa. “Ao sair o livro, o Jeca transforma-se em ‘assunto’, em ‘tema’ de debate (…) O Sr. Leônidas Loila, por exemplo, publicou um volumizinho indignado, no qual verberava ‘essa campanha sistemática de depreciação e ridículo do homem e das coisas do Brasil’. Campanha, dizia ele, que está transformando em nossa Pátria ‘uma geração de céticos e de pessimistas, por um lado, concorrendo por outro lado para o nosso descrédito no estrangeiro’.

O caboclo era o ‘ai! -jesus nacional’. O próprio Lobato escrevera pouco antes, como que numa previsão do que ia acontecer: ‘Em havendo caboclo em cena, o público lambe-se todo. O caboclo é um menino Jesus étnico que todos acham engraçadinho, mas ninguém estuda como realidade. O caipira estilizado das palhaçadas teatrais fez que o Brasil nunca pusesse tento nos milhões de pobres criaturas humanas, residuais e subrraciais, que abarrotam o interior. Todos as tem como enfeites da paisagem, como os anões de barro nos jardins da Paulicéia.’

Daí a surpresa, o desconcerto. Jeca caía no meio desse otimismo róseo como um impacto. O mais fácil era negá-lo. ‘Jeca Tatu não existe, nunca existiu em nossas brenhas numerosas. O Sr. Monteiro Lobato fantasiou parlamente a existência, os hábitos, as energias, as atividades dos bravos, robustos, intrépidos e varonis caborés brasileiros… E fê-lo unicamente para servirmos de pasto às zombarias, às ironias, às chacotas invejosas dos nossos tremebundos inimigos do Prata. Quem o dirá, concluía o zangado articulista, que o Sr. Monteiro Lobato não foi pago para nos denegrir?’ ‘Jeca, acentuava o Sr. Cândido Mota Filho, é a ‘reclame do nosso descrédito’.”

Tratando do reaparecimento de Jeca Tatu, em vários outros autores, Lajolo traça um ligeiro panorama das diferentes feições então assumidas pelo personagem lobatiano: “Primeiro na voz possante de Rui Barbosa, que retoma a imagem do caipira de cócoras e a amplifica do alto da tribuna eleitoral. Revive depois com Miguel Pereira, que faz uso dela nas campanhas sanitaristas que lidera e as quais Lobato secunda na imprensa. E revive 25 anos mais tarde, em 1945, quando Oswald de Andrade, no discurso de encerramento do 1 Congresso Brasileiro de Escritores, faz dele metáfora da nacionalidade. Mas é no bojo da sua segunda ressurreição, por ocasião das campanhas de saneamento, que o próprio Lobato retoma sua criatura, focalizando-a diferentemente, compreendendo-a agora à luz de um outro contexto: o da saúde pública brasileira corroída pelas epidemias.”

“<<O Jeca não é assim, está assim>> é a forma lapidar que resume o reequacionamento lobatiano da questão. Em uma série de artigos publicados em O Estado de São Paulo, e em 1918 enfaixados no livro O Problema Vital (…) Lobato denuncia a ancilostomose, a leishmaniose, a subnutrição e a tuberculose como causas da miséria do caboclo.”

“No conjunto esses artigos verberam a precariedade da saúde pública brasileira (…). Suas entrelinhas representam também uma autocrítica deste Lobato ao Lobato anterior, que em 1914 não soubera compreender o caboclo incendiário de Buquira. O Lobato de agora sabe que o seu injustiçado Jeca representa ‘… milhões de criaturas que no meio de uma natureza forte e rica songamongam rotos, esquálidos, famintos, doridos, incapazes de trabalho eficiente, servindo apenas de pedestal aos gozadores a vida que literatejam e politicalham nas cidades bradando para o interior inânime’.”

Contra as críticas que sobre Lobato despencam por parte daqueles que afirmam ter o autor criado uma imagem negativa do Brasil, na descrição que faz das condições de vida de Jeca Tatu, a figura do Jeca Tatuzinho aparece como a resposta lobatiana: “Jeca Tatuzinho é uma espécie de cartilha: narra a história do Jeca que, curado da ancilostomose, enriquece e torna-se apóstolo da higiene e do progresso. Sua redenção culmina no fato de que ele se torna coronel e expande suas terras.” Segundo Lajolo: “O roteiro cumprido por este Jeca parece alterar a rota ideológica de Lobato, muito embora no texto reportem ainda notas conservadoras e patronais, como por exemplo quando o narrador se dirige aos virtuais leitores mirins, ascendendo-lhes com o lucro advindo do investimento na saúde do trabalhador: ‘Se forem fazendeiros, procurem curar os camaradas da fazenda. Além de ser para eles um grande benefício, é para você um alto negócio. Você verá o trabalho desta gente produzir três vezes mais’.”.

1919 – Em março, começa a funcionar a editora de Monteiro Lobato. Publica “Cidades Mortas” e “Ideias de Jeca Tatu”.

Primeira vez que convidam Monteiro Lobato para a Academia Brasileira de Letras e este responde que não tem tempo de pensar nisso, “apesar das sugestões havidas”.

1920 – Publica o volume de contos “Negrinha” e a novela “Os Negros”.

O artigo “A Luz Córnea” é publicado no Correio da Manhã. Neste, Lobato revela que “o Brasil de amanhã não se elabora aqui. Vem em películas de Los Angeles, enlatado como goiabada. E a dominação ianque vai se operando de maneira agradável, sem que o assimilado o perceba”.

1921 – Publicação na Argentina de “Urupês”, com tradução realizada por Benjamim de Garay. O jornal “La Nación” e outras publicações, como “Plus Ultra”, “Caras y Caretas” e “Nueva Era”, realizaram reportagens e estamparam fotos sobre Monteiro Lobato.

“entre a fundação e a falência da Editora que levava seu nome, Monteiro Lobato engendrou a sua mais bela invenção: o Sítio do Pica Pau Amarelo, cuja história começa a circular em 1921, ano da publicação de A menina do narizinho arrebitado, antecipada da divulgação de alguns fragmentos na Revista do Brasil.”

Para Lajolo, com o gênero infantil que inaugura, Lobato transfere “o know-how adquirido com livros não infantis”. “Com esse sítio, Lobato em 1921 inaugurou nossa literatura infantil, gênero marcadamente moderno. O surgimento de livros para crianças pressupõe uma organização social moderna, por onde circuleuma imagem especial de infância; uma imagem que encare as crianças como consumidoras exigentes de uma literatura diferente da destinada para os adultos. É pois, como iniciador do gênero no Brasil, que Lobato acrescenta mais um ponto a seu currículo de modernidade.”

“Das mais importantes é a contribuição da editora de Monteiro Lobato para a renovação das nossas obras didáticas e infantis. O livro escolar que atualmente conhecemos – tão bom quanto o melhor de qualquer parte – surge das reedições da ‘Gramática Expositiva’, de Eduardo Carlos Pereira. E o livro infantil brasileiro nasce, sem dúvida, de ‘A Menina do Narizinho Arrebitado’. Também no setor gráfico não é pequeno o serviço que lhe devemos. Antes dele, praticamente não existira entre nós a obra ilustrada. Atraindo artistas como Voltolino, J. Wasth Rodrigues, Di Cavalcanti, Rui Ferreira, Correia Dias, e tantos outros mais, valoriza os textos com belíssimas ilustrações, e em lugar das habituais capas tipográficas, vistosos desenhos dão colorido e graça às brochuras.”

Segundo Edgar Cavalheiro, o livro infantil “Narizinho Arrebitado” nascera de um jogo de xadrez com Toledo Malta na Cia. Editora Nacional. Este lhe conta a história de um peixinho que, ao passar algum tempo fora d’água, desaprendera a nadar, e que, ao voltar ao rio, afogara-se. Logo após o jogo, Lobato escreveu “História do Peixinho que morreu afogado”. Resolve desenvolver melhor a história, lembra de cenas da roça, em que passou a infância: as pescarias no ribeirão, as entradas na floresta com o pai, as brincadeiras com as irmãs. E começa a história com Dona Benta. Porquê velha e porquê Benta, assim explica Lobato: “Velha porque se iam entrar em cena crianças, era preciso botar uma velha, uma vovó, pois só as vovós aturam crianças e deixam-nas fazer o que querem. E um rapaz com quem estudara, Pedro de Castro, contava histórias de sua avó Benta.” Publicou na “Revista do Brasil” fragmentos sob o título de “Lúcia, ou a Menina do Narizinho Arrebitado”, que permaneceu como “Narizinho Arrebitado”.

Precede a publicação dos fragmentos de “Lúcia, a Menina do Narizinho Arrebitado” com a seguinte nota: “A nossa literatura infantil tem sido, como poucas exceções, pobríssima de arte, e cheia de artifício, – fria, desengraçada, pretenciosa. Ler algumas páginas de certos “livros de leitura”, equivale, para rapazinhos espertos, a uma vacina preventina contra os livros futuros. Esvai-se o desejo de procurar emoções em letra de forma; contrai-se o horror do impresso … Felizmente, esboça-se uma reação salutar. Puros homens de letras voltam-se para o gênero, tão nobre como qualquer outro”.

Segundo Cavalheiro, “a literatura infantil praticamente não existia entre nós. Antes de Lobato havia tão somente o conto com fundo folclórico. Nossos escritores extraíam dos vetustos fabulários o tema e a moralidade das engenhosas narrativas que deslumbraram e enterneceram as crianças das antigas gerações, desprezando, frequentemente, as lendas e tradições aparecidas aqui, para apanharem nas tradições europeias o assunto de suas historietas.(…) A reação se fez, e escritores de categoria, como Olavo Bilac, Júlio Cesar da Silva, Francisca Júlia, Coelho Neto, João do Rio, Arnaldo de Oliveira Barreto, Tales de Andrade, Viriato Correa e outros surgiram com produções originais, traduções ou adaptações.(…) Era ainda muito pequena a literatura que a meninada dispunha. Os grandes mestres do gênero – Andersen, Perrault, Collodi, Grimm, Lewis Carrol, Burger, Barrie – permaneciam inacessíveis à imaginação e à sensibilidade da criança brasileira. Existiam algumas traduções – do Robinson, Júlio Verne, Cônego Schmidt, Condessa de Ségur – mas tão mal feitas que nenhum encanto exerciam sobre a criançada”.

Sobre o primeiro livro infantil de Monteiro Lobato, escreve Breno Ferraz: “Publicou-se um livro absolutamente original, em completo, inteiro desacordo com todas as nossas tradições “didáticas”. Em vez de afugentar o leitor, prende-o. Em vez de ser tarefa, que a criança decifra por necessidade, é a leitura agradável, que lhes dá a mostra do que podem os livros. (…) Com o seu aparecimento marca-se a época em que a educação passará a ser uma realidade nas escolas paulistas. De fato, a historieta fantasiada por Monteiro Lobato, falando à imaginação, interessando e comovendo o pequeno leitor, faz o que não fazem as mais sábias lições morais e instrutivas: desenvolve-lhe a personalidade, libertando-a e animando-a para cabal eclosão, fim natural da escola. Nesses moldes há uma grande biblioteca a construir”.

A primeira edição de “Narizinho Arrebitado” é uma imprudência editorial com 50 mil exemplares. Mas a tiragem esgota-se em oito ou nove meses. A presidência de São Paulo era ocupada por Washington Luís, que, ao visitar os grupos escolares com Alarico Silveira (Secretário do Interior), percebeu a existência de um livro de leitura extraprograma muito requisitado pelas crianças, mas muito “sujinho e surrado”. Lobato, mandara como propaganda a todos os Grupos e Escolas do Estado, um exemplar de “Narizinho Arrebitado”. Para Washington Luís, “se este livro anda assim tão escangalhado pelas crianças em tantos Grupos, é sinal de que as crianças gostam deles. Indague de quem é e faça uma compra, para uso em todas as Escolas”, ordenou à Alarico Silveira. Lobato ao ser perguntado pelo Secretário de quantos exemplares este poderia dispor, revela que quantos o governo precisar. Fornece ao governo 30 mil exemplares. Para Cavalheiro, “uma doida aventura comercial, converteu-se em excelente negócio.”

A primeira edição de “Narizinho Arrebitado” traz o subtítulo de “segundo livro de leitura para uso das escolas primárias”. “E o ter dado forma didática aos primeiros livros, mostra que mais do que as crianças, visava os ‘escolares’. As duas histórias que o compõem terminam com exclamações: ‘Que pena! Tudo aquilo não passara de um lindo sonho…’; ‘Que pena! Era sonho outra vez…’. ‘São frases que mostram, com nitidez, que o autor não se dera ainda conta de que iniciara a criação de um mundo.’”.

Publica “Onda Verde”, “O Saci” e “Fábulas de Narizinho”.

Inscreve-se para o preenchimento da vaga de Pedro Lessa na Academia Brasileira de Letras. Logo se arrepende e retira a sua candidatura. Neste momento, as chances de Lobato na Academia eram grandes, pois possuía prestígio literário, e era o maior editor do Brasil e diretor de uma grande revista.

1922 – Neste ano, Lobato confessava: “Que vontade de mudar de terra – ir viver num País vivo, como o dos americanos! Isto não passa de um imenso tartarugal. Tudo se arrasta”.

Publica “Fábulas” e “O Marquês de Rabicó”.

Além das edições escolares, Lobato aproveita para fazer das aventuras de “Narizinho” belos álbuns coloridos de 30 a 40 páginas, “coisas inteiramente novas em matéria editorial”.

1923 – Após os trabalhos da Editora Lobato, se dirigia ao “velho” Café Guarani, em que “como nos alegres dias da mocidade, tem mesa especial, mas agora não de sonhadores, poetas, contistas, filósofos ou jornalistas”. Encontra-se com um grupo heterogêneo que conversa de tudo menos de literatura e arte. “A obrigação é só dizerem coisas que provoquem risadas. Nenhum deles o conhece como escritor. Na roda funciona apenas como um ‘pagante’. O fato escandaliza os amigos, mas ele explica: ‘Que querem? Passo o dia inteiro lidando no escritório com literatos, poetas, escritores, intelectuais de toda a espécie; à noite preciso descansar; acham que ainda devo procurar gente dessa categoria?’ Para equilibrar a fadiga do espírito só o pitoresco daqueles vagabundos.”.

Lobato escreve: “Depois que me meti na indústria vivo esmagado em engrenagens. Meu sonho era parar, mas com dinheiro no Banco; e numa Paz do Senhor, como a da Fazenda Buquira, retomar o fio de Urupês.”.

“No fundo o que irritava Monteiro Lobato eram as obrigações sociais, o sacrifício daquela bela liberdade de ler quando lhe apetecia, escrever quando viesse o ‘elan’, ou simplesmente não fazer nada quando lhe desse na veneta. Metido até o pescoço na indústria e no comércio, adeus liberdade”.

Publica “O Macaco que se Fez Homem” e “Mundo da Lua”.

Monteiro Lobato fica magoado com a crítica de João Ribeiro a seus livros posteriores, chamando-os de subprodutos. Monteiro Lobato “confessa andar ‘cheio de contos’, mas não os escreve. Não desdenhou nunca os que publicara. Era mesmo com certa melancolia que confessava ter sido escritor enquanto não sabia o que era. ‘Esse belo escritor morreu quando se concretizou. Surgiu em lugar dele a sórdida coisa que é o profissional, o homem de letras’.”.

1924 – Publicação do artigo “A Arte Americana”, que apresenta considerações sobre o cinema: a França não soube aproveitar a invenção (cinema) que teve em mãos. Já os americanos apoiaram a nova arte em bases industriais.

Direitos Reservados 2013 consultar créditos.

abr. 18 2013 Staff Categoria: Efemérides

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Museu Monteiro Lobato